Um investigador da Polícia Civil de Mato Grosso foi indiciado pelos crimes de estupro e abuso de autoridade após uma detenta denunciar ter sido violentada sexualmente dentro da delegacia de Sorriso, a 420 km de Cuiabá. O caso ganhou repercussão nacional após o relato da vítima ser exibido em reportagem do programa Domingo Espetacular, da TV Record.
Segundo a investigação, o policial Manoel Batista da Silva teria se aproveitado da condição de autoridade e da custódia da vítima para cometer os abusos. A mulher relatou que foi retirada da cela sob o pretexto de tomar banho e levada ao alojamento da unidade policial, espaço restrito aos servidores. No local, segundo o depoimento, ocorreram os episódios de violência sexual e humilhação.
A vítima afirmou que, após os abusos, foi forçada a se lavar com produtos de limpeza enquanto era observada pelo policial, situação descrita por ela como profundamente degradante. O relato aponta para quatro episódios de violência, ocorridos entre a noite de 9 e a madrugada de 10 de dezembro de 2025, período em que ela estava presa por determinação judicial.
O inquérito da Polícia Civil foi concluído e confirmou a materialidade do crime. Exames periciais indicaram compatibilidade genética entre o material biológico coletado da vítima e o do investigador. O procedimento foi encaminhado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público, que darão prosseguimento à ação penal.
O policial foi preso no dia 1º de fevereiro, em sua residência, e teve pertences funcionais apreendidos, incluindo arma de fogo e munições. Após audiência de custódia, foi encaminhado à Cadeia Pública de Chapada dos Guimarães.
As investigações tiveram início a partir de requisição do Ministério Público ainda em dezembro de 2025. Durante o processo, foram ouvidas outras detentas e policiais que estavam de plantão na unidade. Também houve quebra de sigilo telefônico e representação pela prisão preventiva, diante da gravidade dos fatos.
Paralelamente à esfera criminal, a Corregedoria-Geral da Polícia Civil instaurou um Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) contra o investigador. Em nota, a instituição afirmou que não compactua com desvios de conduta e que todas as denúncias envolvendo servidores são rigorosamente apuradas.
A delegada-geral da Polícia Civil, Daniela Maidel, classificou o episódio como isolado e reforçou que a instituição não tolera práticas criminosas por parte de seus integrantes.
A vítima, que havia sido presa inicialmente por envolvimento em um homicídio, chegou a ter a prisão temporária revogada durante as investigações. Posteriormente, um novo mandado de prisão preventiva foi expedido contra ela por outros crimes, e atualmente é considerada foragida.





