A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), conseguiu reverter o cenário de paralisia administrativa vivido nas últimas semanas.Dias depois de vir a público alertar que o teto de 5% de remanejamento imposto pelo Legislativo inviabilizava a gestão e colocava em risco serviços essenciais, a prefeitura garantiu o destravamento de mais de R$ 40 milhões em recursos orçamentários e consolidou a criação do Fundo Municipal de Educação.
No entanto, a trégua com o parlamento durou pouco, e a Saúde se mostra como nova disputa política na cidade. O avanço na infraestrutura urbana e na educação ocorreu logo após as cobranças da chefe do Executivo, que se intensificaram com o incêndio em armazém da Educação.
“Eu tenho processos, o Fundo Municipal de Educação, que também precisa ser votado, colocado em pauta. Então, se eu tenho que fazer pressão, ou se eu tenho que pedir, pelo amor de Deus, para o Wanderley Cerqueira olhar para a população de Várzea Grande e votar os processos de Executivo, por favor, Wanderley, faz o seu trabalho, coloca os projetos do executivo em pauta, coloca os projetos de orçamento em pauta”, clamou Moretti durante Marcha para Jesus, no último sábado (20).
Na ocasião, ela alertou que a falta de verba sacrificaria a zeladoria da cidade, colocando em risco projetos essenciais para a população várzea-grandense.
“A gente vai continuar espremendo, eu vou deixar de fazer tapa-buraco, eu vou deixar de fazer asfalto, eu vou deixar de fazer outras coisas dentro do município para atender as nossas crianças. Agora, que a população ponha a mão na consciência nas próximas eleições”, disse na ocasião.
Em resposta ao clamor, os vereadores aprovaram dois projetos de lei cruciais que liberaram mais de R$ 40 milhões. O primeiro garantiu uma abertura de crédito suplementar no valor de R$ 33,3 milhões para a Secretaria Municipal de Viação e Obras, para a execução de obras de pavimentação e manutenção asfáltica, construção de pontes e realização de outros serviços. A segunda proposta destinou um crédito adicional no valor de R$ 7,8 milhões para a Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer.
A vitória mais urgente da gestora chegou com a sanção da lei que institui oficialmente o Fundo Municipal de Educação de Várzea Grande (FMEVG). O mecanismo era a principal preocupação de Moretti, que corria contra o relógio devido ao prazo limite de 7 de julho para regularizar a situação e evitar a perda de um repasse expressivo.
“O Fundo Municipal de Educação é o meio pelo qual a gente pode receber dinheiro. Se ele [Wanderley Cerqueira] não colocar na terça-feira, eu ainda tenho que abrir conta, regularizar a abertura de conta, regularizar um monte de situação no fundo para poder receber um recurso de R$ 14,5 milhões e mais aqueles que eu for atrás agora por conta da calamidade”, havia alertado a prefeita dias antes.
Apesar do alívio orçamentário nas pastas de infraestrutura e educação, Flávia Moretti abriu uma nova frente de batalha contra o Legislativo nesta quinta-feira (25). Durante coletiva de imprensa realizada nas obras do Parque Tecnológico. A gestora subiu o tom ao ser provocada sobre cobranças do deputado Fábio Tardin (Podemos) a respeito de investimentos parados e de que a prefeita “não entrega o que foi prometido” e que “falam muito e não fazem nada”, explicando que o município continua refém da burocracia parlamentar provocada pela Câmara.
“Está parado na Câmara. Eu não posso usar o dinheiro de emendas parlamentares que vieram, sem passar o Orçamento de Crédito, Lei Orçamentária de Crédito Suplementar. Então eu estou, sim… Eu estou com o valor parado na Câmara de mais de R$ 22 milhões, parado para saúde, vai chegar mais todos os meses”, disparou a prefeita.
Assim, enquanto o Tribunal de Justiça aguarda o parecer do Procurador-Geral de Justiça para decidir sobre a constitucionalidade do teto orçamentário de 5%, a relação entre os dois poderes na cidade segue tensionada por novas cobranças.
Fonte: Gazeta Digital





