Deputado acompanhará júri dos assassinos da filha, mas critica leis: ‘não tem sentimento de Justiça’ Esposa de Cattani, Sandra, é uma das testemunhas a ser ouvida. Portanto, o casal ficará frente a frente com os assassinos da própria filha.

O deputado estadual Gilberto Cattani, pai de Raquel Cattani, vítima de feminicídio a mando do ex-marido e executada pelo ex-cunhado em julho de 2024, confirmou que vai acompanhar o julgamento dos irmãos assassinos, marcado para o dia 22 de janeiro. Romero Xavier Mengarde e Rodrigo Xavier Mengarde vão a júri popular em Nova Mutum.

A esposa de Cattani, Sandra, é uma das testemunhas a ser ouvida. Portanto, o casal ficará frente a frente com os assassinos da própria filha. O parlamentar não soube dizer qual será sua reação quando isso acontecer.

“Eu não sei. Eu nunca mais fiquei frente a frente com ele. Eu não sei qual será o sentimento. A nossa reação vai ser nula, porque não tem o que possa fazer. Eu acho que qualquer pai estaria também consternado”, afirmou, em entrevista ao Mídia Jur nesta quarta-feira (14).

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Ele destacou que a demora para que os irmãos fossem levados a julgamento pelo feminicídio, um ano e meio, e reafirmou o que já disse outras vezes: não tem perspectiva nenhuma de que justiça seja feita, devido às leis brasileias.

“Demorou um ano e meio pra levar essas pessoas a julgamento. Eu não tenho nenhuma perspectiva. Tenho, sim, que essas pessoas vão ser condenadas. Até porque é réu confesso, as provas são infalíveis. Mas isso não trará nossa menina de volta. Eu disse em outras ocasiões aqui, que não existe justiça em nosso país. Não estou falando aqui de judiciário. Não estou falando aqui de nada disso. Estou falando das nossas leis. Nós não temos leis que possam fazer justiça.”

Para Cattani, um dos principais representanes da direita conservadora em Mato Grosso, o ideal seria uma punição “da mesma maneira” com que o crime foi cometido. Em outras palavras, pena de morte.

“O que é você fazer justiça? É quando uma pessoa agride a sociedade e ela seja punida da mesma maneira. Nós nunca mais vamos ver nossa menina. Nem os filhos dela vão ver a mãe. Mas eles sim. Então não existe sentimento de justiça. Para mim, não existe. A expectativa é muito vaga. E nada vai mudar o que aconteceu.”

O crime

O assassinato da produtora de queijos Raquel Cattani ocorreu no Rancho PH, localizado no Assentamento Pontal do Marape, zona rural de Nova Mutum.

Romero foi casado com Raquel por cerca de dez anos e não aceitava o fim do relacionamento. A denúncia apontou que ele teria planejado o crime e ofereceu R$ 4 mil ao irmão Rodrigo para matar Raquel. Conforme a investigação, os dois combinaram como seria feita a execução.

Na noite do crime, Rodrigo entrou na casa da vítima e aguardou sua chegada. Quando Raquel retornou, foi atacada com pelo menos 30 facadas. O laudo pericial aponta múltiplas lesões, caracterizando meio cruel e revelando brutalidade incomum.

Romero construiu um falso álibi, indo para uma cidade vizinha com os filhos do casal. No entanto, sua participação foi confirmada com o depoimento do irmão. Ele foi preso na casa do ex-sogro, Gilberto Cattani, local que continuava frequentando para evitar desconfiança.

O julgamento

Os irmão assassinos foram presos em 25 de julho de 2024. A denúncia foi recebida em agosto do mesmo ano e ambos foram pronunciados em 19 de dezembro de 2024 para serem julgados pelo Tribunal do Júri. A decisão de pronúncia foi mantida pelo Tribunal de Justiça após recursos das defesas, com trânsito em julgado em 22 de outubro de 2025.

O Tribunal do Júri acontece no dia 22 de janeiro e será presidido pela juíza Ana Helena Alves Porcel Ronkoski.

Fonte: MIDIAJUR

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