Na última segunda-feira, dia 28 de setembro, semana em que o país volta suas atenções para o debate público e a escolha de novos representantes nas eleições deste domingo (2) , o ex-policial civil aposentado Ricardo de Souza Pessoa, de 62 anos, cometeu um feminicídio dentro do Hotel Real, no município de Cáceres. Ele atirou quatro vezes contra sua ex-companheira, Noeli Simsen, de 50 anos, que não resistiu aos ferimentos.
O autor do crime invadiu o local armado, rendeu a equipe do estabelecimento apontando-lhes a arma e dirigiu-se até o quarto onde a vítima residia temporariamente. Após efetuar os disparos, ele fugiu em uma caminhonete, mas acabou se apresentando à delegacia, onde confessou a autoria dos tiros. Na audiência de custódia realizada no dia seguinte (29), a Justiça converteu sua prisão em flagrante para preventiva. Em sua residência, a polícia apreendeu mais quatro armas, incluindo um fuzil.

O perfil do agressor e o padrão da violência
A postura de Ricardo de Souza Pessoa evidencia uma trajetória prévia de controle, perseguição e violência contínua ao longo dos 27 anos em que esteve com a vítima. De acordo com o inquérito e depoimentos de testemunhas, o ex-policial acumulava histórico de intimidação física e psicológica:
-
Incapacidade de aceitar o término: O próprio investigado declarou à polícia que cometeu o ato por não aceitar o fim do relacionamento, que havia terminado há cerca de cinco meses.
-
Histórico de agressões e ameaças: Registros de conversas mostram que Ricardo já havia agredido a vítima com tapas, empurrões e tentativa de sufocamento, além de ter apontado uma arma contra a cabeça dela e efetuado disparos dentro de casa em ocasiões anteriores.
-
Comportamento obsessivo e controle: O agressor monitorava os passos, as roupas, a rotina de exercícios e as interações de Noeli, além de humilhá-la publicamente na presença de funcionários e hóspedes.
-
Intimidação no momento do crime: Mesmo alertado e abordado por colaboradores do hotel para que não seguisse em frente, Ricardo usou de força e ameaça direta com arma de fogo para alcançar seu objetivo.
Noeli Simsen havia retornado recentemente de uma viagem à França e planejava vender o hotel para refazer sua vida longe do agressor.
Reflexão: A urgência do combate ao feminicídio em semana eleitoral
A ocorrência deste feminicídio na reta final de uma semana eleitoral impõe uma reflexão necessária sobre as prioridades da sociedade e das instituições públicas. Enquanto o debate político mobiliza discursos sobre segurança pública, justiça e ordem, crimes cometidos por homens no âmbito doméstico continuam a vitimar mulheres diariamente.
A atuação de agressores como Ricardo de Souza Pessoa expõe a urgência de tratar a violência de gênero não como um problema secundário ou privado, mas como uma pauta central de segurança estatal. O fato de o autor ser um ex-agente da segurança pública portando múltiplos armamentos reforça a necessidade de mecanismos rígidos de controle, fiscalização e punição, garantindo que a proteção à vida das mulheres seja efetivada na prática, independentemente do calendário político.





