Mato Grosso ultrapassa 30 feminicídios em 2026; caso de Conceição expõe desafios na proteção às mulheres Assassinada a facadas em Chapada dos Guimarães, Conceição Moreira da Silva, de 31 anos, havia denunciado ameaças do ex-companheiro e possuía medida protetiva de urgência. O caso reforça o alerta sobre a violência contra as mulheres.

Cada caso de feminicídio evidencia uma realidade que não pode ser tratada como mais uma ocorrência policial. No dia 10 de outubro, Conceição Moreira da Silva, de 31 anos, foi assassinada a facadas em Chapada dos Guimarães (a 65 km de Cuiabá). A mulher havia denunciado ameaças do ex-companheiro e possuía uma medida protetiva de urgência. Mesmo após buscar ajuda, teve a vida interrompida pela violência.

Conceição havia saído do trabalho em um supermercado e seguia de bicicleta quando foi surpreendida pelo ex-companheiro, Joilson Bonifácio Correa de Souza Silva, de 44 anos. Ele é apontado como suspeito do ataque. Após ser atingida pelos golpes de faca, Conceição foi socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e encaminhada a uma unidade de saúde, mas não resistiu aos ferimentos. O crime aconteceu em via pública e provocou comoção na comunidade.

Medida protetiva não pode ser apenas um documento

A vítima teria procurado a polícia em setembro para denunciar ameaças. A existência de uma medida protetiva torna o caso ainda mais preocupante e levanta questionamentos sobre os mecanismos de acompanhamento e proteção disponíveis para mulheres em situação de risco. Denunciar é um passo fundamental, mas nenhuma mulher deveria continuar vivendo sob ameaça depois de buscar ajuda. É necessário que a rede de proteção consiga agir de forma efetiva para prevenir novas agressões e preservar vidas.

Após o ataque, o suspeito teria tentado fugir, mas foi contido por moradores até a chegada da Polícia Militar. Os policiais encontraram o homem com ferimentos, e uma faca apontada como instrumento do crime foi apreendida. Conforme as informações da ocorrência, ele foi preso em flagrante e encaminhado à delegacia. A Polícia Civil investiga o caso, incluindo as circunstâncias do feminicídio e o histórico de violência relatado.

O feminicídio não termina com a morte da mulher

A violência contra as mulheres deixa consequências que ultrapassam a vítima. Filhos perdem suas mães, famílias são devastadas e comunidades convivem com marcas profundas. Em Mato Grosso, os sucessivos casos de feminicídio reforçam a urgência de políticas públicas de prevenção, acolhimento, fiscalização das medidas protetivas e responsabilização dos agressores. Não basta lamentar cada morte depois que ela acontece: é preciso fortalecer a rede de proteção e cobrar respostas concretas para que mulheres ameaçadas tenham condições reais de permanecer vivas.

O caso de Conceição não pode ser reduzido a uma estatística nem esquecido com a passagem dos dias. Se uma mulher denuncia ameaças e busca proteção, sua segurança precisa ser tratada como prioridade. Quantas outras mulheres ainda vivem sob ameaça sem conseguir proteção efetiva? O enfrentamento ao feminicídio exige compromisso permanente do poder público, das instituições e de toda a sociedade.

O Portal Mulher MT acompanha os casos de violência de gênero e reafirma seu compromisso com a defesa dos direitos das mulheres, a cobrança por políticas públicas eficazes e a luta para que nenhuma vida seja interrompida

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