Primeira-dama diz que não apresentou defesa na Capistrum para deixar MP ‘à vontade’

Alvo de investigação da Capistrum, operação que apura suposto esquema de uso político da máquina na Secretaria de Saúde de Cuiabá, a primeira-dama e candidata ao governo do Estado, Márcia Pinheiro (PV), alega que ainda não apresentou defesa para deixar o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) “à vontade” para trabalhar.

“Nós não revertermos porque eu pedi para nossos advogados não entrassem com a defesa. Quisemos deixar o MP totalmente à vontade para investigar aquilo que deve. Não sou condenada, sou investigada por uma operação e logo logo a verdade virá à tona”, disse, em entrevista concedida ao programa Tribuna, da TV Vila Real, nesta quinta-feira (25).

A Operação Capistrum resultou na proibição, pela Justiça, de Márcia frequentar a Prefeitura de Cuiabá e a pasta. De acordo com o MP, era Márcia quem determinava contratações irregulares na Saúde. Conforme depoimento da ex-secretária municipal de Saúde, Elizeth Lúcia de Araújo, a primeira-dama foi quem escolheu o nome do investigado Ricardo Aparecido Ribeiro, para assumir a Coordenação de Gestão de Pessoas da secretaria.

Elizeth Lúcia também trouxe à tona a existência da irregularidade referente ao pagamento do “Prêmio Saúde”, que era efetuado sem parametrização alguma quanto ao valor e aos cargos que deveriam fazer jus ao referido benefício, cujos valores – que variavam entre R$ 70 e mais e R$ 5 mil.

Conforme a ex-secretária, os valores eram determinados livremente pelo prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB), que foi afastado do cargo nessa operação, e pela primeira-dama, que mandavam, por intermédio da Adjunta de Governo e Assuntos Estratégicos, Ivone de Souza – que também foi alvo da Operação Capistrum – bilhetinhos definindo o valor que o indicado tinha que receber de “Prêmio Saúde”.

Na entrevista desta manhã, Márcia argumentou que não é condenada em nenhuma ação, apenas investigada, portanto, não crê que esse caso, assim como os demais escândalos de corrupção na prefeitura manchem sua candidatura no interior do estado.

“Um delator que, para se livrar, jogou muita coisa para cima de nós. Mas não temos nada que me credencie como uma corrupta, como uma pessoa que lesou a prefeitura. Até pelo contrário. Ir na prefeitura? Eu ia muito pouco. E isso não me impediu de continuar com minhas ações sociais”, comentou.

O delator a que ela se refere é o ex-secretário de Saúde, Huark Douglas Correia, que confirmou ter contratado mais de 250 servidores temporária, cuja contratação, em sua maioria, teria sido realizada para atender interesses políticos do prefeito.

Certidão com anotações

Esta semana, o procurador regional eleitoral Erich Raphael Masson deu um prazo para a Coligação Para Cuidar das Pessoas [Federação Brasil da Esperança (PV, PCdoB e PT), Solidariedade, PSD e PP] apresentar certidões para comprovar que Márcia está apta para ter registro aprovado pela Justiça Eleitoral.

Ocorre que, segundo o procurador, a certidão de 2º grau da candidata possui anotações, ou seja, existem investigações das quais ela é alvo e por isso é “imperioso que se faça acompanhar das respectivas certidões de objeto e pé”.

Fonte: www.leiagora.com.br

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