A enteada de Valdivino Almeida Fidelis, de 58 anos, procurou o ex-padrasto para tentar acalmá-lo e chegou a levar um bolo até a residência, no bairro Goiabeiras, em Cuiabá. No entanto, ao chegar no imóvel, percebeu um comportamento incomum: ele trancou o portão e a porta da casa, atitude que, segundo ela relatou depois aos policiais, não era corriqueira.
Em seguida, Valdivino apareceu armado e passou a ameaçá-la, usando-a como “isca” para atrair a ex-companheira até o local. A ocorrência foi registrada na noite desta segunda-feira (11).
“Ela relatou depois que a gente pôde resgatá-la, de que não era o primeiro episódio de agressões contra a mãe e de ameaças contra ela para que fizesse a fala com a mãe (…) Ela sentiu um grande medo, tinha certeza que naquele momento ela seria vitimada”, declarou o tenente-coronel da PM, Matheus Belphman Cacciolari, comandante do Batalhão Raio, à imprensa nesta terça (12).
As informações levantadas apontam que Valdivino pretendia atrair a ex-companheira até a residência para cometer um possível duplo feminicídio antes de tirar a própria vida. “Possivelmente se tornaria um duplo feminicídio e um suicídio”, afirmou o comandante.
Ainda conforme o oficial, a ex-companheira relatou que já havia sofrido agressões anteriormente, embora nunca tivesse registrado boletim de ocorrência. Cerca de 70 dias antes, inclusive, Valdivino já teria usado a mesma arma de fogo para intimidar a mulher, com quem foi casado por mais de 20 anos.
“Não há um registro formal disso, mas a ex-convivente nos relatou que ele já havia praticado agressões contra ela e que isso seria um dos motivos pelo qual ela teria saído da residência”, explicou. “O que foi passado para nós, depois, é que ele já vinha praticando ações aproximadamente há 70 dias”, complementou.
Veja vídeo:
“Plano B”
Sem conseguir contato direto com a ex-convivente, ele passou a obrigar a enteada a fazer chamadas de vídeo para que ela assistisse à autoexecução. Para o comandante do Raio, a situação também configura violência psicológica.
“Ele queria obrigar a enteada a assistir o suicídio dele e queria obrigar a mulher também a assistir isso”, afirmou.
O CASO
Valdivino morreu após intervenção policial durante uma ocorrência de cárcere privado e tentativa de feminicídio. Segundo informações da Polícia Militar, a vítima seria enteada do suspeito e filha da ex-companheira dele e foi atraída até a residência sob o pretexto de alimentar animais que ficavam no imóvel. Armado, Valdivino manteve a jovem refém por cerca de duas horas.
Conforme o boletim, durante a negociação, os militares ouviram barulhos vindos do interior da casa e decidiram entrar no imóvel diante da gravidade da situação e da confirmação de que o suspeito estava armado. Os policiais acessaram os fundos da residência e viram o homem apontando uma arma para a cabeça da vítima enquanto ela falava ao telefone.
Ainda de acordo com a PM, Valdivino abriu a porta dos fundos e se deparou com a equipe policial. Os militares afirmam que deram ordem para que ele soltasse a arma e se deitasse no chão, porém o suspeito teria apontado o revólver em direção aos agentes.
Os policiais efetuaram disparos para conter a ação. O homem caiu ainda com a arma em mãos. A vítima foi retirada da residência em segurança.
Uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionada e constatou a morte do suspeito no local.
Fonte: MIDIAJUR





