Vereadora de Ipiranga do Norte denuncia discriminação e registra Boletim de Ocorrência

A vereadora Alexandra Cossul, de Ipiranga do Norte, Mato Grosso, está em meio a uma batalha em prol da igualdade de gênero e do respeito no ambiente político.

Após enfrentar atos de discriminação e gaslighting durante uma sessão da Câmara Municipal, ela tomou a decisão de registrar um Boletim de Ocorrência (BO) e denunciar publicamente a situação. Sua luta é um reflexo dos desafios que muitas mulheres enfrentam na política e destaca a necessidade urgente de mudanças nesse cenário.

Ao denunciar atos de discriminação de gênero e desrespeito que enfrentou durante uma sessão legislativa, ela evidenciou também o gaslighting que sofreu ao apontar o erro do colega parlamentar.

Gaslighting é uma forma de manipulação psicológica em que a pessoa é levada a questionar sua própria realidade, acreditando que está errada ou desequilibrada. Esse termo ganhou notoriedade nos últimos anos e é um comportamento prejudicial que é comumente dirigido a mulheres em ambientes de poder.

O incidente ocorreu durante a votação das Contas de governo do Exercício Financeiro de 2022 da Prefeitura Municipal. O secretário da mesa, ao ler o projeto do Decreto 005/2023, referiu-se repetidamente às contas de 2022 como se fossem de 2023. A vereadora, em seu papel de fiscalizadora e legisladora, questionou a discrepância e buscou esclarecimentos.

No entanto, a resposta que ela recebeu não foi apenas inadequada, mas também uma manifestação de gaslighting. O presidente da Câmara a repreendeu, insinuando que ela estava desatenta à sessão e que suas perguntas estavam causando tumulto. Esse tipo de comportamento é prejudicial e tem como objetivo fazer a pessoa questionar sua própria percepção e realidade.

No primeiro momento a vereadora relata não ter percebido que estava sofrendo gaslighting, questionando sua própria percepção e realidade, sendo convencida de que estava errada.

Depois de assistir diversas vezes a gravação da Sessão que Alexandra Cossul percebeu que havia ouvido tais repreensões para que a mesa diretora evitasse corrigir o próprio engano.

“Fiquei muito indignada. No período da tarde, fui assistir o vídeo que fica gravado no Facebook da Câmara, assisti várias vezes para conseguir contar todas as vezes que foi lido errado. Isso me deixou muito revoltada, pois fizeram esse tipo de acusação e ainda queriam dizer que eu estava errada.”

Ela também compartilhou sua experiência de discriminação e sexismo na Câmara, revelando: “Teve um colega vereador que teve a capacidade de falar para mim que eu deveria fazer exame de próstata. Você tem noção? O absurdo que é você, como mulher, ter que ouvir isso?” questiona.

Em um vídeo publicado em suas redes sociais, a vereadora Alexandra Cossul destacou a importância de sua denúncia e a necessidade de enfrentar tais desafios em nome de todas as mulheres que não têm a oportunidade de expor suas experiências.

“Estou aqui na delegacia da polícia civil e acabei de registrar um BO referente o que aconteceu comigo durante a sessão do dia 23 da Câmara municipal de Ipiranga do Norte. O motivo pelo qual tomei essa atitude agora é porque fui encorajada por várias mulheres que já passaram por situações semelhantes”, enfatizou.

Além disso, Alexandra compartilhou o relato da servidora da Câmara que elaborou o documento das contas. Mesmo sendo concursada, essa servidora foi humilhada pela mesa diretora, que alegou que ela havia redigido o documento errado, o que a obrigou a buscar o papel no lixo para provar que estava correto.

Ela comentou que a servidora a procurou para informar que não gostou de ser citada, segundo Cossul, provavelmente porque sabia que sofreria ainda mais perseguições em um ambiente que aparenta ter essa tendência em relação às mulheres.

“E o que mais me deu nojo foi durante a semana inteira eu ter que ficar escutando piadinhas no grupo de WhatsApp da Câmara na reunião que tivemos na segunda-feira, por parte de alguns vereadores. Parece que eles não levam a sério a atividade e o trabalho parlamentar que realizamos. Esse não é um caso isolado, não. Desde que fui eleita, venho passando por esse tipo de situação”, prosseguiu a vereadora.

O papel das mulheres na política é crucial, e é essencial que suas contribuições sejam reconhecidas e respeitadas.

Cossul também mencionou que sua luta não se limita a sua situação pessoal, mas tem um objetivo maior: servir como exemplo para outras mulheres que enfrentam desafios semelhantes na política. “Eu não posso mais ficar calada diante de tudo o que acontece no município! A partir disso fiquei mais revoltada ainda, porque a semana toda eles ficaram fazendo piadinhas e debochando no grupo da Câmara, dizendo que agora que eles estão famosos”, comentou.

O caso de Alexandra Cossul destaca a urgência de repensar e reformar os ambientes políticos, tornando-os mais inclusivos e justos, onde o mérito prevaleça sobre preconceitos de gênero. A contribuição das mulheres na política é vital, e é fundamental que elas sejam tratadas com respeito e igualdade, sem enfrentar barreiras ou estereótipos de gênero.

A denúncia da vereadora Alexandra Cossul representa um importante passo na busca por justiça e igualdade de gênero, destacando a necessidade de mudanças na política para garantir que todas as vozes sejam ouvidas e respeitadas, independentemente do gênero. Ela se torna um exemplo de coragem na luta por um ambiente político mais igualitário, onde o protagonismo das mulheres é valorizado e respeitado.

Fonte: Momento MT

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