Multiartista travesti promove rifa para custear treinos de defesa pessoal

A multiartista e ativista das travestilidades pretas e periféricas Lupita Amorim promove até o dia 10 de setembro uma rifa em prol de angariar recursos para custear treinos de defesa pessoal. A rifa pode ser adquirida por meio do contato direto com Lupita, pelo celular (65) 992923262, que também é o código PIX utilizado para aquisição dos números, ao custo de R$10,00 cada. Entre os itens sorteados na noite de 10 de setembro pelo Instagram @lupitamorim estão quitutes cuiabanos, obras literárias e um serviço de tranças Nagô no Salão Estilo Afro.

Desde 2021, Lupita Amorim está envolvida com treinos de defesa pessoal das técnicas do Krav Maga, que promovem a autodefesa. O Krav Maga é reconhecido mundialmente como a arte de defesa pessoal. Todos os movimentos são pensados de acordo com a motricidade natural do corpo humano, o que facilita a ativação de uma reação em situação de perigo e surpresa. Os movimentos são curtos e, por consequência, rápidos.

Além de contribuir para manter-se ativa fisicamente, o envolvimento de Lupita com as técnicas do Krav Maga tem relação com a consciência de que o Brasil é um país com altos índices de violência física e simbólica contra pessoas trans. “Manter meus treinos de defesa pessoal é mais uma forma de resistir física e mentalmente no país que mais mata pessoas trans no mundo”, assinala Lupita.

Apesar de a transfobia ser crime no Brasil desde 2019, o país é ainda o que mais mata pessoas trans e travestis em todo o mundo pelo 13° ano consecutivo. O número de assassinatos de mulheres trans e travestis é o maior desde 2008 — ano em que o dado começou a ser registrado. Conforme o relatório de 2021 da Transgender Europe (TGEU), que monitora dados globalmente levantados por instituições trans e LGBTQIA+, 70% de todos os assassinatos registrados aconteceram na América do Sul e Central, sendo 33% no Brasil, seguido pelo México, com 65 mortes, e pelos Estados Unidos, com 53. Os dados revelam também que, nos últimos 13 anos, pelo menos 4.042 pessoas trans e de gêneros diversos foram assassinadas entre janeiro de 2008 e setembro de 2021.

Com 23 anos, Lupita Amorim é atriz, modelo, dançarina e poetisa. Graduanda em Ciências Sociais na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), é uma das lideranças do Coletivo Negro Universitário da UFMT. Divide sua vida e produções entre a universidade, militância e arte, pautando urgências da população travesti preta, pobre e periférica a partir de movimentações políticas.

Conheça relatos de mulheres trans sobre longevidade

35 anos. Essa é a expectativa de vida de parte da população de mulheres brasileiras – menos da metade da expectativa de vida da população em geral: 75,2 anos. O documentário “Essas mulheres que não envelhecem” (Jonas Lunardon & Yamini Benites) entrevista mulheres que contam suas histórias, paixões, anseios. Mulheres que desejam romper a estatística e poder viver mais do que a sociedade muitas vezes parece possibilitar. O documentário é uma realização do Projeto Vozes, iniciativa audiovisual da Anú – Laboratório de Jornalismo Social. A proposta é resgatar um olhar mais humano sobre pessoas que fazem parte de populações em que desigualdades, opressões e resistência são cotidianas dado o contexto social que vivemos. A partir do relato de suas experiências de vida, suas paixões, seus afetos, pretende-se criar um retrato em que elas possam ser protagonistas para contar e construir suas próprias histórias.

Fonte: www.gazetadigital.com.br

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